Um tempo atrás foi veiculada a notícia de que o líder checheno dizia que iria mandar os filhos adolescentes para lutar pela Rússia. Esse seria que tipo de arquétipo de deus em ação? Zeus? Ares? Poseidon? Hermes?
Quando a gente começa a ler sobre os deuses, pode até não se dar conta como eles dão as caras na “vida real”, mas é nessas horas que a gente observa uma diferença clássica entre os arquétipos de Zeus e Ares enquanto pais, por exemplo.
Ares pode até mandar os filhos para a guerra, mas ele também estará lá. O deus Ares era retratado com os filhos ao lado, Fobos e Deimos (medo e terror).
O único que “manda o filho”, mas ele próprio fica sentado numa cadeira, é Zeus.
Tá, e daí? O que um líder checheno tem a ver com a minha vida?
Esse exemplo é para a gente ver que existem diferentes expressões de paternidade. E todos nós somos afetados por elas, independentemente de ter crescido com um pai super presente ou não.
Vamos supor que a escola chame os pais para uma reunião, por “mau comportamento da criança”.
O pai Ares vai? Vai. Pode ser até pior, ele é capaz de perder a paciência com a pedagoga. E com o filho. Mas ele vai.
No caso do pai Zeus, o mais provável é que alguém vá no lugar dele. Por exemplo, a mãe. Ele só irá se não encontrar alternativa.
É uma particularidade específica desse arquétipo exercer influência estando longe. Parece que de perto ele não se sente tão forte. A gente vê isso naquele chefe que dá mil ordens, mas muitas vezes nem aparece na reunião.
O pai Poseidon com certeza vai, e muito provavelmente vai defender o filho, não importa quão errada a criança esteja. Você já deve ter conhecido esse pai: “Não fale assim do meu filho!”
O trabalho com o pai Poseidon é que ele dê espaço para o filho se defender. O trabalho com o pai Zeus, por outro lado, seria algo como “se você não for, ninguém vai falar por você”.
Já o pai Hermes vai ser aquele que dirá: “Certamente encontraremos uma solução”. E, claro, ele é o favorito das professoras e pedagogas por causa disso. Ele é calmo, acessível, elas saem do encontro achando aquele pai super legal.
O pai Dioniso é o mais difícil definir, já que é um deus de extremos. Ele tem um desafio inerente ao arquétipo, que é sair do “eterna Criança”, do Peter Pan que vive nele.
Quando ele completa essa tarefa específica, costuma ser um excelente pai. Atento, disponível e envolvido. Lembre que Dioniso foi o único a casar com uma mortal. Ele sabe abraçar a vida concreta.
Dioniso no seu modo “Peter Pan” é uma furada numa reunião de pais. Ele é naturalmente charmoso, e a maioria das profissionais de educação, que são mulheres, tendem a achá-lo encantador.
Ele acaba desviando do assunto, falando de outras coisas. O problema em si dificilmente é resolvido. Ou é até resolvido, mas apesar da presença dele.
Por outro lado, o pai Apolo é aquele que tenta desesperadamente entender “como as crianças funcionam”. Boa vontade não falta. Mas o feeling de lidar com frustrações dos pequenos não é dos melhores, não é natural.
Na época que eu atendia como terapeuta, os pais Apolo sempre me pediam uma espécie de “manual” que eles pudessem estudar. Quando eu dizia que “cada criança é única”, ficavam perdidos.
Por isso que eu sempre falo que o pai Apolo tem que dar o primeiro banho no bebê. Ficar com ele no colo. Trocar fralda. Não esperemos que a paternidade “ecloda” dele, do nada. Ele aprende se for empurrado.
E o pai Hades? Aqui pode parecer estranho o que eu vou dizer, mas a minha sensação é: depende do arquétipo do filho.
Não quando a criança é pequena, claro. Os Hades que eu conheço lidam tranquilamente com uma criança, seus desafios e tal.
Mas, à medida que o filho cresce, Hades se mostra muito suscetível ao arquétipo e à personalidade expressados pelo filho. Se o filho também tiver Hades, por exemplo, serão inseparáveis.
Se a criança tiver Hermes, Dioniso e até Hefesto, há muitos pontos de conexão. Da mesma forma se tiver Perséfone ou Héstia.
Agora, se a criança for elétrica como um Ares, for uma Hera, ou até um Zeus, Hades tem uma habilidade só dele de “desaparecer”. Aquela coisa de “nem temos o que conversar”.
Não vamos dizer que seja exatamente um aspecto “negativo” do pai Hades, mas apenas uma particularidade dele. Ele pode ser um pai tal para o filho A, e um pai totalmente diferente para o filho B.
É meio desconcertante isso, porque a gente meio que espera que pai seja pai, independente do filho.
Mas, diferentemente de um Poseidon, que é ele mesmo e quer criar do mesmo jeito, não importando como o filho seja (o que pode ser um problema), Hades reage muito ao inconsciente do outro.
Ele saberá, melhor do que ninguém, as questões e tretas internas do filho.
Se o filho está sofrendo bullying na escola, o pai Hades vai saber. Ele vai ser empático e vai dar força, de uma forma muito discreta.
Se, ao contrário, o filho está fazendo bullying com os outros, o pai também vai saber. Mas pode decidir se afastar, ficar mais distante. É o momento que a mãe precisa intervir e ser firme: “Mesmo que o comportamento dele seja muito diferente do seu, ele é seu filho e precisa do seu apoio”.
Por fim, o pai Hefesto é aquele pai calado, na dele, vai ser difícil ver esse pai tendo longas conversas com o filho. Mas ele expressa sua generosidade através do dom da habilidade manual.
Com uma chavinha de fenda na mão, ele vai consertar o brinquedo que o filho quebrou, vai ajeitar o material da escola que precisa de reparo.
E qual o sentido prático de olhar os deuses em ação na “vida real”, seja como pai, marido ou profissional? Além de, claro, se empolgar identificando as características dos deuses no pai, no colega de trabalho, no marido?
Mais importante do que apenas encontrar tais características nas pessoas ao seu redor, perceber a presença dos deuses na vida prática vai permitir compreender os padrões inconscientes em ação, o porquê do homem fazer tal coisa.
E aí, conscientemente, ele vai poder direcionar o comportamento dele para algo que todos saiam ganhando.
Agora que você já sabe que existem padrões ocultos do inconsciente que podem inspirar ou atrapalhar aspectos da vida, que tal descobrir que padrões são esses que estão em ação?
Preparei um super quiz para te ajudar a descobrir qual deus/a está dando as caras por aí.

