Você com certeza já ouviu falar por aí sobre sombras (inclusive, já conversamos um pouco sobre como elas aparecem projetadas em pessoas e situações). Mas o X da questão é: como a gente lida com a sombra, COMO? Socorro!
É fácil? Não, não é nem um pouco fácil. Mas lidar com as nossas sombras é essencial para não permitir que elas sejam manipuladas pelos outros.
E, sim, antes que a gente se pergunte pra quê fazer isso, vale reforçar que é através da nossa sombra que somos manipuláveis. Através da nossa culpa e medo. Então bora, o mundo já está numa outra consciência e não queremos essas porcarias mais com a gente!
Antes de tudo, o que exatamente é sombra? É tudo aquilo que traz a sensação de inferioridade. Sempre que nós nos sentimos insuficientes, impotentes, inseguros, a sombra está em ação. A sombra traz um sintoma que conhecemos bem: a ansiedade.
Varrer a sombra debaixo do tapete só a deixa mais forte. A melhor estratégia é olhá-la de frente. Afinal, como disse Jung, aquilo a que você resiste persiste.
Certo, e como faz isso? Vamos lá!
Primeiro passo: está tudo bem errar. Errar é profundamente humano. É através do erro que aprendemos. Sem ele não há crescimento, e a nossa existência aqui perde o sentido. Aceitar que vamos sim errar, e está tudo bem com isso, deixa a vida muito mais leve.
Segundo passo: tenha compaixão pelo seu erro. A compaixão começa conosco, muito antes de ter compaixão por qualquer pessoa. Esse abraço em si mesmo nos protege da autopunição, que costuma ser destrutiva.
Terceiro passo: cuidado com o “autossacrifício”. Muitas vezes nos doamos aos outros como uma forma de tentar compensar nossa sensação de inferioridade. Isso raramente dá certo, e só gera ressentimento.
Quarto passo: o trabalho com a sombra é diário. É que nem louça suja, não termina. Estaremos sempre tirando as nossas “sujeirinhas”. Quanto mais limpamos nossas próprias sombras, mais contribuímos para a consciência do coletivo.
A partir daí, você pode começar a transformar sua sombra nas situações práticas do dia a dia. Sabe aquilo que te irrita, te incomoda? Que parece te deixar emocionalmente esgotado? A sombra, quando ativa, consome nossa energia MESMO.
Pegue uma situação e avalie: o que nessa situação te desanima / aborrece / irrita? A sombra está nos dizendo algo que ignoramos.
Por exemplo, “estou sobrecarregado de tarefas e não estou dando conta”. E aqui tem um macete: quando o assunto é sombra, a pergunta mais importante é “por que eu me coloquei nessa situação?” Nesse caso, seria: “por que eu me sobrecarreguei dessa forma?”
Agora, é o momento de sinceridade. “Porque não sei falar não”, ou ainda “porque acho que preciso ‘mostrar serviço’ (me provar)” etc.
Vamos imaginar que seja “porque acho que preciso me provar”. Aí vêm os 3 “I”s da sombra: impotência, insuficiência, inferioridade, e nós fazemos de tudo para fugir deles!
Quando acho que preciso me provar, é sinal de que me sinto insuficiente (esse é o “I” da questão), e aí faço a “bobagem” de me sobrecarregar, só para provar que não sou insuficiente.
Isso dá certo? Não! Porque a sombra cria um ciclo vicioso: primeiro eu me sinto insuficiente, aí faço mais para provar que não sou, em consequência eu não consigo fazer tudo (porque estou sobrecarregado), o que leva a me sentir insuficiente…
O que fazer a partir de agora? Ser honesto consigo mesmo: “Eu não dou conta de tudo.” Ok. “Isso é tão terrível assim? Hum, acho que não. Posso, então, montar uma rotina respeitosa com os meus limites? Acredito que sim. Certo, só sei dar conta de X. É assim que eu sou.”
Quanto mais autorrespeito menos sombra. Menos ciclo vicioso, menos gasto energético. Então ache sua sombra, isso é vital. Converse com ela, faça essa “limpeza” diária . Trabalhar isso vai render muito. Pois cada sombra trabalhada é uma energia indispensável que volta para você.
